sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

MINELLI


                Conheci a Minelli num torneio que realizei na Universidade anos atrás, na ocasião fiquei muito impressionado com ela, há anos não via uma jogadora de xadrez tão empolgada em jogar e em aprender para evoluir no jogo, e claro, isso me cativou e virei seu fã me oferecendo para ajudá-la nessa caminhada. Ela apareceu algumas vezes em minha sala de aula e depois sumiu por causa de intensos trabalhos acadêmicos.
                Minelli me contou depois que aprendeu a jogar com o irmão, mas que ele não a ensinou direito justamente para poder inventar regras e sempre vencer. Sua irmã e melhor amiga também jogam e são as melhores da universidade Federal do Oeste do Pará. Ano passado ela sagrou campeã novamente, mas com um bônus, como a competição foi mista (contudo as medalhas e premiações são separadas) ela quase vence no geral, ficando na última rodada na primeira mesa (todo enxadrista que compete sabe que usando o sistema suíço de emparceiramento as primeiras mesas são para os primeiros colocados). Equiparando assim aos homens se é que alguém ainda tem dúvidas sobre a capacidade feminina.
 
                







                     Eu gostaria de lembrar todos os títulos dessa grande guerreira que luta num país que não tem tradição nesse esporte, num estado que não incentiva e numa cidade que não a reconhece pelos seus esforços. Mas ela está muito ocupada em seus afazeres acadêmicos e não pode me assessorar nesse texto.
                Fica aqui minha homenagem e espero sinceramente que seja um estímulo as demais mulheres, coisa rara nesse universo enxadrístico, infelizmente.

domingo, 20 de janeiro de 2019

A arte e o prazer de ensinar


             


Milhares de enxadristas aprenderam xadrez pelas minhas aulas pelas muitas cidades por onde andei, muitos foram os que se interessaram e evoluíram no jogo, muitos se apaixonaram e nunca pararam de jogar, alguns por receios que desconheço deixaram e outros por falta de tempo abandonaram. A maioria eu esqueci os nomes e uns poucos esqueci os rostos.
                Além de professor de xadrez leciono inglês e português, mas o prazer que é ver uma pessoa e principalmente uma criança evoluir no jogo e chegar aos mais altos lugares do pódio é algo que impressiona, e por mais que eu tenha visto acontecer várias vezes e mesmo depois de tantos anos, isso ainda me deixa empolgado e encantado em todos os aspectos e durante todo esse percurso.
                Existem segredos para levar um enxadrista neófito ou mesmo uma pessoa “comum” a conseguir uma ou outra medalha, um deles é mostrar o quanto é divertido o desenvolvimento contínuo por mais que as vezes a repetição (necessária) seja chata. Porque a arte de criar só é possível depois da retenção do conhecimento, tanto um quanto o outro instiga e cativa os praticantes aficionados.
                Uma vez ouvi de um professor de xadrez que seus alunos estavam desanimados com o xadrez, então disse a essa pessoa que era devido à falta de visão, pois o xadrez não tem limites. Nas palavras da lenda viva do xadrez Garry Kasparov quando questionado sobre os jogadores atuais ele disse que havia necessidade de estudar novamente para pelo menos se equipara a eles. Isso somado às multifaces do xadrez.
                Desafio você leitor a viver uma vida paralela como enxadrista. Experimente alguns meses, se divirta pelos labirintos da mente, entre num mundo diferente de tudo que você já viu ou sentiu, mergulhe de cabeça nessa tribo de gente diferente, estranha, às vezes esquisitas às vezes comuns. Te dou um exemplo meu, quando aprendi jogar, descobri que muitos dos meus amigos já jogavam e começamos e trocar ideias e falar de maneira diferente quando estávamos nesse assunto.
                Como disse anteriormente em outras publicações, estou à disposição para direcionar você ao aprendizado da arte de caíssa.