sábado, 9 de fevereiro de 2019

ESTÍMULOS

     Quando aprendi jogar xadrez parecia impossível melhorar meu jogo, foram tantas derrotas, houve uma batalha terrível só para não pegar na peça (no xadrez, peça tocada é peça jogada). Fazem muitos anos que aconteceu, mas me lembro de muitos detalhes. 
     A história é simples, onde eu morava todos já eram bons jogadores, experientes e com conhecimento de regras além do que pudesse imaginar que às vezes até soava como se eles estivessem me enrolando de tanta regra, mas eram caras legais. Me acostumei com muita zoação nos primeiros meses, depois eu fui atrás da federação, e dos torneios. 
    Nessa mesma época comecei a lecionar, mesmo com pouco conhecimento eu não desanimei. Estudava muito, e também pedia para que meus alunos fizessem pesquisas e me trouxessem principalmente biografia dos grandes mestres e eu devorava tudo.
     Comecei a participar de torneios menos de um ano depois que aprendi, eu era muito ruim, contudo era extremamente dedicado, aficionado, viciado, ... estudava, jogava e lecionava praticamente todos os dias e por causa disso melhorei muito rápido e minha ascensão foi recebida com tanta estranheza que mesmo depois que entrei no top 20 do estado de Goiás, ainda era chamado de "zebra" quando ganhava um torneio.
     Durante esse doloroso mas divertido percurso (não sou masoquista, sou exagerado) ouvi muitas vezes de amigos e conhecidos que eu nunca seria bom jogador, que meu jogo não passaria daquele nível baixo, em muitas ocasiões e acreditava naquilo que até pensei por uma quantidade de vezes desistir felizmente eu não consegui.
     Ainda assim foi um dos períodos mais felizes da minha vida, por muitas cidades viajei jogando e ensinando xadrez, muitos amigos eu fiz principalmente pelo meu entusiasmo pelo jogo. Acredito que agora só falta tatuar o rei no meu antebraço!
 
aberto do Brasil em alter do chão. Santarém Pará

domingo, 3 de fevereiro de 2019

PENSAMENTOS

     Uma vez um enxadrista disse que não há mentiras no xadrez, todas se acabam no início da partida, seja o que você tenha dito, em apenas uma partida é possível saber o nível do jogador e até um pouco da sua personalidade. Sim, os jogadores mostram quem realmente são durante seus lances e alguns após o jogo, como foi o caso de um amigo meu que empurrou uma cadeira com violência quando perdeu uma partida "ganha".
     É só você naquele momento e apenas uma cochilada, uma piscada é suficiente para desandar a partida, uma derrocada que na maioria das vezes culmina na derrota. Outro jogador de xadrez disse que as máquinas tem a vantagem de não precisar ir ao banheiro e assim desconcentrar. Vi muitos jogadores bons se irritarem ao ponto de deixarem o xadrez. Para mim, não tem nada mais terrível do que cometer o mesmo erro, repetir lances ruins é desesperador.
     Muitos jogadores tem projetos de serem os melhores do mundo, conheci um assim, mas nunca foi sequer melhor da cidade, contudo soube canalizar sua paixão para apenas um hobby e nunca parar de se divertir jogando xadrez sem se exigir demais, sem desistir do jogo. Tenho certeza que nunca se arrependeu. Outras histórias, até de mestres do xadrez terminam cheias de frustrações. Há ainda outros jogadores que entendem e vislumbram jeitos de se apaixonarem pelo xadrez. Tenho um amigo que tem experimentado organizar torneios e tem se dado muito bem, já outro apenas coleciona objetos de xadrez como livros, jogos e materiais.
     Infelizmente a arrogância é marca registrada na maioria dos enxadrista, e se mostra de várias maneiras, uns de maneira sutil outros de uma evidência chocante. Kasparov num desses momentos de loucura disse que no xadrez a palavra dele era próxima da de Deus. Não posso negar que passei por algumas experiências assim e vi muitos amigos caírem nessa cilada. 
     E você amigo leitor, quando vai se envolver nesse que é um dos esportes mais praticados no mundo? E se você já joga, se envolva mais, experimente mais dos viés que a arte de caíssa proporciona!