quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

MAIS FACETAS

     Uma vez li num lugar que a vida é curta demais para o xadrez, é claro que essa afirmação serve para quaisquer atividade prazerosa da vida. Eu poderia falar de tocar violão que é uma sensação quase indescritível, ou de vencer uma competição de cubo mágico, também me cabe o poker, o banco imobiliário, war, os jogos do ps4 e muitas paixões da minha vida agitada de nerd, mas pela minha primeira paixão e pelo objetivo do blog vou falar de xadrez. 
     A arte de caíssa tem me fascinado e me instigado por todas as suas vertentes das quais já li e que muitas delas eu experimentei como é o caso do xadrez às cegas e as *simultâneas, considerado pela maioria como verdadeiros espetáculos e intrigam até os próprios jogadores de xadrez. Na época que morei em Goiânia todas as vezes que a cidade fazia aniversário vinha um Grande Mestre fazer uma *simultânea, eu tive o privilégio de jogar com o Mequinho e o Rafael Leitão. Durante o tempo que lecionei sempre fiz pelo menos uma a cada ano.
     Já as partidas às cegas que é mais complicado eu pratiquei bastante numa época de juventude (não acho que a velhice impossibilite) e de muitas partidas. Nos dias de hoje posso até tentar, mas não conseguiria terminar, precisaria praticar . Para tentar descrever minha sensação eu uso uma comparação com os músculos do corpo, pois assim como eu me sentia contraindo-os num exercício eu posso dizer que a sensação é parecida. Sim, é como se eu sentisse meus neurônios funcionando se contraindo, não sei, é o mais próximo do que posso descrever.
    O torneio Amber de xadrez rápido é incrível! É jogado às cegas!
     *Simultâneas são divertidas e gostaria de fazer com mais frequência, mas com o nível diminuindo ninguém me chama mais para realizar uma e não estou mais lecionando xadrez para "obrigar" meus alunos a participar. Também falta tempo para reunir uns amigos e tentar organizar uma.

GM LEVON ARONIAN - VENCEDOR DO TORNEIO AMBER 2008

O XVII Torneio Amber de Xadrez Rápido e às Cegas, foi celebrado de 15 a 27 de Março, no Hotel de luxo, de 5 estrelas, Palais de La Mediterranée, que está situado na primeira linha do passeio maritimo da famosa "Promenade des Anglais" em Nice.

*é quando um jogador joga várias partidas ao mesmo tempo com vários outros jogadores.
mequinho jogando uma simultânea

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Jornada Enxadrística

     Durante os anos que jogo e ensino xadrez (um tempo quase igual) pude sentir a alegria de compartilhar meus conhecimentos e adquirir muitos outros de meus colegas mesmo vindo dos menos experientes, foi e ainda é aprazível aproveitar a distração e o passatempo que proporciona, tem sido uma terapia ocupacional muito produtiva para uma vida agitada e cheias de preocupações.
    O tempo foi passando e meu nível de jogo foi se transformando juntamente com minha percepção e forma como o pratico atualmente. A maior mudança (acredite se quiser) foi o aprendizado de lidar com a vitória e com a derrota de maneira sutil e sem emoções (a menos claro, que a vitória seja muito louca cheia de sacrifícios ou uma vitória que veio de virada), ainda que a vitória seja espetacular minha reação maior é conversar e analisar juntamente com meu parceiro e esboçar um sorriso discreto.
     Antes eu jogava para vencer, hoje para interagir e me divertir (exceto claro, partidas bullet*), ainda que queira ganhar (casos raros e bullet*) mesmo assim eu me divirto dando boas gargalhadas principalmente com jogadores fortes.
     No início eu jogava tanto, não queria fazer outra coisa, minha agenda era só enxadrista, minhas viagens era somente para torneios, e eu passava o dia inteiro jogando. Hoje eu sou sereno e jogo apenas quando dá, talvez porque antes eu não tinha filhos e preocupação na vida, não sei. Aquela paixão irrefreada deu lugar a um amor sereno e sem pressa. 
     Por essas muitas facetas e toda essa evolução do jogo em minha vida é que eu insisto em participar de torneios, chamar amigos e desconhecidos para jogar em minha casa.



*partidas de dois minutos