quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Torneio de Rurópolis

     Dia 22 de setembro do presente ano acontece um segundo torneio de xadrez em Rurópolis o primeiro organizado pelo Dr. Roberto que tem contribuído muito para o xadrez local e juntamente com seu filho e eventualmente uns amigos participaram de muitos torneios aqui em Santarém. Nossos agradecimentos!

     Dessa vez o torneio é organizado pelo Manoel Vieira o qual é um grande entusiasta do xadrez o qual tive o prazer de conhecê-lo um pouco aqui em Santarém numas poucas partidas que jogamos pessoalmente e pelas muitas mensagens que trocamos por whattsap, devido o mesmo morar em outra cidade, pude perceber sua paixão pela arte de caissa. E agora com esse grande evento num esporte que é pouco divulgado e que não existe nenhum tipo de fomento pelo poder público do nosso estado mostra a força e o caráter desse homem lutando pelo que acredita, num esforço para melhorar o xadrez em nossa região. Uma prática a ser seguida por todos nós que gostamos desse esporte, onde por milhares de vezes ouvi e vi meus colegas falando do que não tínhamos no clube, dando ideias das quais não queria ter o trabalho de participar, reclamando dos torneios e dos que estavam na organização.

     Precisamos de mais pessoas como nosso amigo Manoel Vieira não só no xadrez, mas principalmente nele devido o momento delicado que passa o nosso clube de xadrez santareno. Faço essa homenagem ao Manoel e a todos que tem feito algo em prol do xadrez, para ecoar em nossos ouvidos e que possamos colocar a mão na massa, vamos participar desse evento, indo, ajudando, divulgando, ... encontre uma forma de melhorar, ampliar e fortalecer nosso clube, o esporte que gostamos e praticamos. Temos muitas ideias e poucas pessoas para pô-las em prática!
o xadrez era praticado apenas pelos nobres antigamente. 
Que hoje possamos ter práticas nobres em relação aos colegas.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Somos uma só família



                O lema da FIDE (Federação internacional de xadrez) nos faz pensar em muitas coisas, mas a principal é que todos os jogadores se interajam como família, não só em partidas mas no companheirismo de seguir ensinamentos, aprendendo com os amigos, nas partidas nos conselhos e muitos mais. Pessoalmente experimentei o termo família de duas maneiras. Na minha família nem pais nem irmãos, tios, primos ou sobrinhos se interessaram pelo jogo como eu (participar de campeonatos e jogos frequentes), mas fiquei muito feliz em encontrar jogadores que foram muito amáveis ao me considerar e de apenas colegas de partidas me fizeram grandes amigos, até hoje se lembram de nossa amizade apesar de tantos anos já terem se passado. Esses amigos me ensinaram, incentivaram e passamos muito tempo jogando e conversando xadrez e outras coisas. Por muitas vezes visitei até em outras cidades. Em muitas ocasiões jogamos por horas de muita diversão e risadas que ecoam através dos anos.
                Quando meus filhos nasceram não quis obriga-los a jogar xadrez, na verdade, acredito piamente que o conhecimento deve ser exposto de maneira divertida para as crianças. Nessa linha de pensamento eu os levei para torneios para estimular o desejo pelo jogo e então quando eles pediram eu fui ensinando. Primeiro, minha filha que hoje tem 21 anos, depois meu filho do meio que esse mês faz 16, e agora meu caçula de 8. Todos aprenderam, mas nenhum se interessou de fato pelo jogo como eu, até esse ano quando apareceu uma oportunidade numa escola para lecionar xadrez, conversei com minha filha que faz pedagogia e é apaixonada pela área da educação, ela gostou muito da ideia e começou a leciona. Após algumas aulas ela mandou mensagem muito empolgada com as aulas, diga-se de passagem, ela já tem experiência em sala de aula. Fiquei impressionado e feliz não só por ela está gostando muito e tendo mais uma experiência na sua área de estudo e pesquisa, mas por ela está seguindo meus passos, adquirindo mais conhecimento no xadrez e seguindo sua própria vertente do multifacetado mundo do xadrez.

domingo, 16 de junho de 2019

Novas perspectivas

Aguardem pelas novidades no Clube de Xadrez Roque Maior com o bingo idealizado pelo nosso colega enxadrista Edinaldo de Melo Oeiras.

sábado, 11 de maio de 2019

IMORTAL

     O que nos torna imortais? algumas seitas e religiões tem muitas sugestões e certezas. Os escritores tem o caminho das pedras, pois a cada best seller ou indicação para academia de letras tem a tão sonhada conquista humana, desejada desde sempre. Gerar filhos, acreditam alguns, te faz eterno. Talvez por isso colocam o próprio nome no filho. E por aí vai, cada um com sua crença, outros com mais de uma, muitos com várias. Mas como é viés desse blog vou apresentar a maneira enxadrística. O que nós acreditamos nos aspectos concernentes a arte de Caíssa.
     No xadrez existe várias maneiras de se imortalizar, temos várias aberturas com nomes dos criadores ou daqueles que a popularizaram, Ruy Lopez a mais conhecida e jogada no mundo inteiro foi popularizada no século XVI por Ruy López de Segura que encontrou no livro de xadrez no ano de 1561, já foi desprezada e renovada várias vezes, mas sempre conhecida no mundo inteiro desde então. Uma outra maneira enxadrística de ganhar vida eterna é criando partidas espetaculares, naturalmente nós (o mundo do xadrez) chamamos de "imortais". Partidas imortais são aqueles jogos notáveis e extraordinários no mundo do xadrez. Adolf Anderssen em 1851 fez a dele com Lionel Kieserizky, é cheia de sacrifícios incríveis como de uma vez na sequencia de lances Anderssen entrega as duas torres, o jogo pega fogo, é incrível! se você não joga xadrez, eu realmente sinto muito. Nas palavras de um grande enxadrista, "a vida é muito curta para o xadrez", já para os colegas sugiro, quem não conhece ou não lembra procure, vale a pena ver e analisar de novo e de novo, ...
     Existem ainda aqueles que colocam seu nome no mais alto lugar no ranking, que lutam por cada ponto, para aumentar o máximo e até se entristecem com as perdas de rating e posições. E olha que isso pode levar uma vida inteira de prazer intenso. Uma vida dedicada ao xadrez!
     E nós nunca nos esquecemos das lendas, as vivas e as que cravaram seu nome na história que nos deixaram belíssimas lições de vida e aulas práticas sublimes desse jogo maravilhoso. Li sobre vários, e citarei dois dos meus favoritos, primeiro Kasparov, ainda vivo e aposentado, meus olhos brilhavam vendo e estudando suas partidas jogadas no auge do seu poder. Memorizei muitas delas e aproveitei em minhas aulas, recitei muitas de suas celebres frases, "no xadrez, a minha palavra é próxima da de Deus", a maioria delas como essa, arrogante mas que denota o momento da sua vida e carreira. Segundo Alekhine, meu enxadrista louco favorito, louco para época, hoje é considera a frente do seu tempo, um visionário que amava sacrifícios de peças e mates que consideravam absurdos devido a quantidade de peças que sobrava para continuar o jogo.
     Muitas pessoas são lembradas pelo xadrez, o professor que ensinou, o que ajudou a impulsionar o clube e torneios pela cidades, estados e país. Aquele cara que incentivou muitas pessoas e por aí vai.
     Dedico essa publicação a todos que jogam, que amam, incentivam, ensinam, arbitram, e que de alguma forma levam o xadrez a alguém.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Lucas, o campeão!

     É meu amigo, grande enxadrista, representou bem seu estado, sua cidade, seu clube. Mas principalmente a ele mesmo, um enxadrista competente e dedicado que apesar das dificuldades de casa e a responsabilidade da faculdade, problemas do dia-a-dia,  ainda encontra tempo para estudar xadrez. Por toda sua história de vida, eu uso uma frase que eu li sobre Kasparov para ele, "em uma busca constante pela iniciativa". Não foi fácil, não foi rápido e teve seus altos e baixos, suas alegrias e tristezas todos os quesitos de um herói. Ele não desistiu!
     Esse é Lucas Filipe Echer Araújo, 20 anos, acadêmico de Geografia na Universidade Federal, nascido aqui mesmo em Santarém, forjado por si mesmo no xadrez com muito esforço e humildade, pacientemente por muitos anos.
     Como nono lugar numa competição nacional e na primeira vez, havia mestres de xadrez disputando, vindo de uma cidade pequena e sem tradição no xadrez, ele se torna o Davi enfrentando Golias, foi apenas uma derrota em sete rodadas. Um exemplo a ser seguido, ainda tão jovem emerge em Brasília de uma cidade que sei que ninguém lá conhecia e até um árbitro de Belém que estava lá ficou impressionado em saber que tinha um jogador de Santarém, até eu que moro aqui e o conheço desde pequeno e sei do seu potencial achei um grande feito.
     Suas trajetórias de vitórias começaram ainda bem novo, quando criança jogava xadrez com o pai, hoje nem seu pai nem eu conseguimos ganhar dele ( foi muito divertido encontrar o Tiene e relembrar os velhos tempos de amistosos pela cidade semana passada) e como diz um velho pregador, isso é só o começo. Esse foi mais um degrau, mais um troféu, mais um aprendizado nesse longo caminho de muitas conquistas. Estamos todos orgulhos de nosso conterrâneo, seus pais, eu, o clube, a universidade e seus amigos e parentes.
     Muitas palavras podem e devem ser usadas para homenageá-lo e fora as que já dediquei no nosso grupo no WhatsApp, deixo aqui minhas congratulações em forma de texto tentando eternizar esse momento na rede mundial de computadores.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

CONSIDERAÇÃO

     Por vezes nos deparamos com inúmeras situações na vida, no dia-a-dia. Na minha área enxadrística costumo sempre ouvir pessoas desprezando o xadrez, diminuindo seu tamanho e restringindo sua magnitude, quase sempre por ignorância. Muitas vezes fiquei incomodado e outras irritado mesmo. Frases como "aquele joguinho","por que ensina isso na escola?", isso quando não fazem cara de desprezo e não dizem nada. Ainda tem a clássica "é igual a dama" tanto afirmando como perguntando. Hoje eu não ligo, acho que acostumei. Respondo sempre com um sorriso no rosto quando for uma pergunta que a pessoa espera uma resposta. Existem casos que não esperam.
     Já outras exaltam e até fazem reverência ao xadrez, eu confesso que já fui assim. Talvez por isso tanta irritação no início. Hoje o xadrez ocupa um lugar especial no meu coração, mas não o primeiro. Eu considero o que ele realmente é, um jogo importante para as pessoas em várias faixas etárias. Ajudando numa parte importante na área cognitiva de maneira específica para cada fase da vida.
     O importante é a que a maioria entende e estimula o xadrez, mesmo que não joguem. Tenho até muitos amigos que sabem jogar mas como não é prioridade só jogam quando uma séries de coincidência acontece. Por exemplo, estão de folga, sem nada para fazer e de repente se deparam com alguém jogando xadrez bem em frente.
      Volta a questão do jogo multifacetado, alguns jogam, outros escrevem, muitos colecionam objetos relativos ao jogo, ainda há aqueles que só ensinam, existem também os que organizam torneios, esses dois últimos são muito importantes para a continuidade do xadrez.
     Enfim, fazia tempo que eu não publicava e resolvi desabafar. Acredito que todos meus colegas enxadristas já passaram por isso, pelo menos os que estão na estrada a muito tempo.

sábado, 13 de abril de 2019

Lucas, filho do Tiene


      Um dia eu tava pedalando pelo centro de Santarém e vi um cara com uma daquelas maletinhas de jogo de xadrez, na hora eu voltei e o segui. Precisava perguntar se aquilo era xadrez mesmo, eu não acreditava. Ainda que ele insistisse ao dizer que era xadrez eu o questionei e pedi para ver, foi quando ele me convidou para jogar na praça do pescador, bem próximo de onde estávamos. Jogamos muitas partidas naquele dia, muitas partidas nos dias que se seguiram, ficamos grandes amigos, eu o visitava com frequência e acabamos por trabalhar juntos em vários lugares. Nesse meio tempo eu soube que ele tinha um filho e que ele sabia jogar. Um dia meu amigo me contou uma história, seu filho chegou em casa muito empolgado, pois havia ganho uma partida e a criança reposicionou todo o jogo e mostrou o mate para seu pai. Eu fiquei estupefato e comecei a usar esse exemplo na minha aula, pois o xadrez desenvolve a memória de maneira lúdica e eu tinha um exemplo recente e próximo de mim.
     Os anos foram passando, eu casei e alguns anos depois ele também. Devidos compromissos nos distanciamos, e então soube que ele foi trabalhar para Trombetas na mineradora. E os anos continuaram seguindo e aquele seu filho que era criança na época já era adulto e com muito interesse em melhorar seu desempenho no tabuleiro e por coincidência nos encontramos por acaso e lhe dei umas dicas para começar e ele dedicou-se de corpo e alma e os resultados nunca param de me surpreender. Ele foi campeão em alguns torneios do clube, foi por várias vezes campeão na Ufopa e agora está classificado para os jogos universitários em Brasília.
     Lucas é um rapaz muito inteligente, muito esforçado e de hábitos simples. Um exemplo que deve ser seguido principalmente no xadrez onde seu talento e esforços ainda nos reservam muitas surpresas boas. Eu sou seu fã, amigo e companheiro enxadrista. Essa é uma das formas que eu encontrei de honrá-lo e apoiá-lo nessa sua ascensão muito merecida. Deus abençoe irmão!

Esses link é a reportagem da classificação para os jogos universitários



http://www.ufopa.edu.br/ufopa/comunica/noticias/alunos-da-ufopa-participarao-da-etapa-nacional-dos-jogos-universitarios-brasileiros/

terça-feira, 19 de março de 2019

RANKING

     Hoje saiu o rating da galera do clube de xadrez de *santarém, algo muito esperado por todos os enxadristas locais, mesmo aqueles que não estão mais jogando, mesmo aqueles que estão longe, mas principalmente aqueles que tem se esforçado para aumentar seus pontos e não faltar aos torneios, galgando assim melhores posições.
     Muitos jogadores de xadrez e até pessoas que não jogam compararam esse jogo com a vida, hoje é minha vez contudo numa perspectiva diferente. O ranking é como a vida, pessoas vem e vão, umas para nos dá exemplos bons e ruins outras para deixar algo pessoal delas com a gente (já dizia saint exupery em "o pequeno príncipe") o rating é a pontuação do jogador, é o "valor" dele no jogo, mas que muitas vezes não reflete a realidade, não está nivelado com a sua capacidade. Pois o ranking depende do jogador aparecer nos torneios e às vezes, não raramente o atleta precisa abandonar o torneio antes de acabar perdendo assim muitos pontos, dias ruins, ...
    Olhando o ranking santareno e conhecendo os jogadores e suas forças posso afirmar essa discrepância observando o primeiro lugar, o mesmo tem perdido muitas partidas e raras vezes ficando em primeiro lugar e mesmo assim se mantêm no topo (por pouco tempo?) devido muitos torneios no passado arrecadando assim muitos pontos. Outros exemplo são jogadores que conseguiram alguns pontos e foram embora da cidade e não jogam mais, (situação temporário pois possivelmente os nomes dos inativos sairão) evitando assim a perda de pontos.
    Assim é a existência humana, não devemos dar muito valor a algumas pessoas em detrimento a outras, todos temos nosso valor, todos temos defeitos e qualidades. Podemos melhorar, às vezes sozinhos às vezes precisamos de ajuda. Deixemos de nos enquadrar ou enquadrar os outros sem conhecer ou mesmo depois de conhecer, vamos estimular, vamos elogiar para crescermos juntos na vida e no xadrez.
    Devemos evoluir, nossos pontos, nosso ranking, nosso rating, nossos hábitos, ... aproveitando melhor o jogo e a existência, o xadrez e a vida, o xadrez e as pessoas, ... excluindo o preconceito. Bons, ruins é apenas questão de concepções, afinal, todos somos bons e ruins em alguma coisa.

*tem o link do CLUBE ROQUE MAIOR no meu blog

sábado, 9 de março de 2019

Judit Polgár

Judit The Look Polgar.jpg
Nascimento 23 de julho de 1976 (42 anos)
Budapeste, Hungria
Nacionalidade húngara Títulos Grande Mestre

As batalhas sem fim!

     Quando comecei no xadrez, sonhava em me tornar uma Grande Mestre (que na época considerava a ideia tão louca quanto ir à lua). Eu nunca sonhei em ser um WGM (GRANDE MESTRE FEMININA). Eu nunca fui uma WGM.

     Eu queria ser a melhor. Eu queria bater em qualquer jogador sentado à minha frente. Eu não queria competir em eventos "Só para mulheres". Eu acredito que as mulheres poderiam ser tão boas quanto os homens no xadrez.

     Para esse sonho e ideologia, fui severamente punida como nenhuma outra mulher no xadrez. Eu fui proibida pela minha própria federação de viajar para grandes eventos de xadrez, já que meu passaporte foi retirado por 3 anos (durante meus anos cruciais de desenvolvimento). Meu ranking número 1 do mundo (que eu consegui quando tinha 15 anos) foi artificialmente tirado de mim pela FIDE (federação internacional de xadrez), inflando as classificações de outras jogadoras por 100 pontos.

     Então, quando me tornei a primeira mulher na história a se classificar para o ciclo do Campeonato Mundial de Xadrez, tanto a FIDE quanto minha própria federação me impediram de competir porque era chamado de “Campeonato Mundial de Xadrez Masculino, então nenhuma mulher pode jogar. Coisas horrendas me foram feitas para garantir que essa ideia maluca de que mulheres possam competir igualmente contra homens no xadrez está morta.

     Eu sacrifiquei minha carreira de jogadora para lutar pela igualdade de gêneros, então minhas irmãs e outras jogadoras hoje podem ter a oportunidade justa de realizar seus sonhos. Foi uma batalha muito cara e emocionalmente desgastante. Depois de passar décadas lutando contra o sexismo e a discriminação, a batalha continua. Eu ainda estou pagando um alto preço hoje por falar sobre muitas dessas questões.

     Em março, farei um discurso muito sério, sem censura, sobre as muitas questões do xadrez de hoje. Fique ligado.



quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

MAIS FACETAS

     Uma vez li num lugar que a vida é curta demais para o xadrez, é claro que essa afirmação serve para quaisquer atividade prazerosa da vida. Eu poderia falar de tocar violão que é uma sensação quase indescritível, ou de vencer uma competição de cubo mágico, também me cabe o poker, o banco imobiliário, war, os jogos do ps4 e muitas paixões da minha vida agitada de nerd, mas pela minha primeira paixão e pelo objetivo do blog vou falar de xadrez. 
     A arte de caíssa tem me fascinado e me instigado por todas as suas vertentes das quais já li e que muitas delas eu experimentei como é o caso do xadrez às cegas e as *simultâneas, considerado pela maioria como verdadeiros espetáculos e intrigam até os próprios jogadores de xadrez. Na época que morei em Goiânia todas as vezes que a cidade fazia aniversário vinha um Grande Mestre fazer uma *simultânea, eu tive o privilégio de jogar com o Mequinho e o Rafael Leitão. Durante o tempo que lecionei sempre fiz pelo menos uma a cada ano.
     Já as partidas às cegas que é mais complicado eu pratiquei bastante numa época de juventude (não acho que a velhice impossibilite) e de muitas partidas. Nos dias de hoje posso até tentar, mas não conseguiria terminar, precisaria praticar . Para tentar descrever minha sensação eu uso uma comparação com os músculos do corpo, pois assim como eu me sentia contraindo-os num exercício eu posso dizer que a sensação é parecida. Sim, é como se eu sentisse meus neurônios funcionando se contraindo, não sei, é o mais próximo do que posso descrever.
    O torneio Amber de xadrez rápido é incrível! É jogado às cegas!
     *Simultâneas são divertidas e gostaria de fazer com mais frequência, mas com o nível diminuindo ninguém me chama mais para realizar uma e não estou mais lecionando xadrez para "obrigar" meus alunos a participar. Também falta tempo para reunir uns amigos e tentar organizar uma.

GM LEVON ARONIAN - VENCEDOR DO TORNEIO AMBER 2008

O XVII Torneio Amber de Xadrez Rápido e às Cegas, foi celebrado de 15 a 27 de Março, no Hotel de luxo, de 5 estrelas, Palais de La Mediterranée, que está situado na primeira linha do passeio maritimo da famosa "Promenade des Anglais" em Nice.

*é quando um jogador joga várias partidas ao mesmo tempo com vários outros jogadores.
mequinho jogando uma simultânea

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Jornada Enxadrística

     Durante os anos que jogo e ensino xadrez (um tempo quase igual) pude sentir a alegria de compartilhar meus conhecimentos e adquirir muitos outros de meus colegas mesmo vindo dos menos experientes, foi e ainda é aprazível aproveitar a distração e o passatempo que proporciona, tem sido uma terapia ocupacional muito produtiva para uma vida agitada e cheias de preocupações.
    O tempo foi passando e meu nível de jogo foi se transformando juntamente com minha percepção e forma como o pratico atualmente. A maior mudança (acredite se quiser) foi o aprendizado de lidar com a vitória e com a derrota de maneira sutil e sem emoções (a menos claro, que a vitória seja muito louca cheia de sacrifícios ou uma vitória que veio de virada), ainda que a vitória seja espetacular minha reação maior é conversar e analisar juntamente com meu parceiro e esboçar um sorriso discreto.
     Antes eu jogava para vencer, hoje para interagir e me divertir (exceto claro, partidas bullet*), ainda que queira ganhar (casos raros e bullet*) mesmo assim eu me divirto dando boas gargalhadas principalmente com jogadores fortes.
     No início eu jogava tanto, não queria fazer outra coisa, minha agenda era só enxadrista, minhas viagens era somente para torneios, e eu passava o dia inteiro jogando. Hoje eu sou sereno e jogo apenas quando dá, talvez porque antes eu não tinha filhos e preocupação na vida, não sei. Aquela paixão irrefreada deu lugar a um amor sereno e sem pressa. 
     Por essas muitas facetas e toda essa evolução do jogo em minha vida é que eu insisto em participar de torneios, chamar amigos e desconhecidos para jogar em minha casa.



*partidas de dois minutos

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Início enxadrista!

     Curiosa por aprender, fui a uma Feira do Livro no período em que estudava no ensino médio e entre um livro e outro quando olhei mais à frente vi algumas mesas e sobre elas tabuleiros de xadrez.
     Sem saber como se jogava e curiosa por cada lance fiquei a espreita, logo tive a oportunidade de jogar uma partida, perdi. Mas fiquei fascinada!
     Lá mesmo me ensinaram algumas regras e lances, depois fui pra casa e pesquisei sobre o assunto, aprendi um pouco mais, porém, como as pessoas ao meu redor não sabiam jogar acabei deixando de lado o xadrez apesar de gostar do mesmo.
     Fiquei cerca de 4 anos sem contato com o jogo, foi quando em Novembro de 2019 um amigo me convidou para ir a um torneio de xadrez e claro, eu fui!
    De imediato, após realizar minha inscrição fui praticar com os participantes presentes que logo seriam meus oponentes, e foi aí que conheci o Gilmar Fernades, virei sua fã de primeira jogada (Rsrsrs...). Observei cada jogada e mais fascinada ainda eu fiquei, ele é um ótimo jogador e no final das contas, de oito partidas ganhei apenas uma por W.O. e empatei em outra, no entanto, fiquei muito feliz, o importante foi poder estar ali aprendendo e participando.
     Hoje ainda não sei muita coisa, continuo aprendendo, já conheci novas regras e consegui melhorar minhas saídas no jogo, isso já é bastante gratificante.
     E a você que está lendo neste momento e está pensando em desistir porque não tem domínio sobre o jogo ou as vezes se sente meio perdido, te incentivo a não desistir.
    Lembre-se que nenhuma de suas conquistas chega gratuitamente, você precisa se dedicar e ir em busca de suas melhoras para alcançar seu objetivo, no xadrez não é diferente, cada novo aprendizado e evolução precisa de dedicação, estudo e treino.
    Pratique dia após dia e torne-se melhor progressivamente, só  não perca a oportunidade de um dia olhar para trás e ver o quanto você evoluiu.
Samara Teles Pedroso

sábado, 9 de fevereiro de 2019

ESTÍMULOS

     Quando aprendi jogar xadrez parecia impossível melhorar meu jogo, foram tantas derrotas, houve uma batalha terrível só para não pegar na peça (no xadrez, peça tocada é peça jogada). Fazem muitos anos que aconteceu, mas me lembro de muitos detalhes. 
     A história é simples, onde eu morava todos já eram bons jogadores, experientes e com conhecimento de regras além do que pudesse imaginar que às vezes até soava como se eles estivessem me enrolando de tanta regra, mas eram caras legais. Me acostumei com muita zoação nos primeiros meses, depois eu fui atrás da federação, e dos torneios. 
    Nessa mesma época comecei a lecionar, mesmo com pouco conhecimento eu não desanimei. Estudava muito, e também pedia para que meus alunos fizessem pesquisas e me trouxessem principalmente biografia dos grandes mestres e eu devorava tudo.
     Comecei a participar de torneios menos de um ano depois que aprendi, eu era muito ruim, contudo era extremamente dedicado, aficionado, viciado, ... estudava, jogava e lecionava praticamente todos os dias e por causa disso melhorei muito rápido e minha ascensão foi recebida com tanta estranheza que mesmo depois que entrei no top 20 do estado de Goiás, ainda era chamado de "zebra" quando ganhava um torneio.
     Durante esse doloroso mas divertido percurso (não sou masoquista, sou exagerado) ouvi muitas vezes de amigos e conhecidos que eu nunca seria bom jogador, que meu jogo não passaria daquele nível baixo, em muitas ocasiões e acreditava naquilo que até pensei por uma quantidade de vezes desistir felizmente eu não consegui.
     Ainda assim foi um dos períodos mais felizes da minha vida, por muitas cidades viajei jogando e ensinando xadrez, muitos amigos eu fiz principalmente pelo meu entusiasmo pelo jogo. Acredito que agora só falta tatuar o rei no meu antebraço!
 
aberto do Brasil em alter do chão. Santarém Pará

domingo, 3 de fevereiro de 2019

PENSAMENTOS

     Uma vez um enxadrista disse que não há mentiras no xadrez, todas se acabam no início da partida, seja o que você tenha dito, em apenas uma partida é possível saber o nível do jogador e até um pouco da sua personalidade. Sim, os jogadores mostram quem realmente são durante seus lances e alguns após o jogo, como foi o caso de um amigo meu que empurrou uma cadeira com violência quando perdeu uma partida "ganha".
     É só você naquele momento e apenas uma cochilada, uma piscada é suficiente para desandar a partida, uma derrocada que na maioria das vezes culmina na derrota. Outro jogador de xadrez disse que as máquinas tem a vantagem de não precisar ir ao banheiro e assim desconcentrar. Vi muitos jogadores bons se irritarem ao ponto de deixarem o xadrez. Para mim, não tem nada mais terrível do que cometer o mesmo erro, repetir lances ruins é desesperador.
     Muitos jogadores tem projetos de serem os melhores do mundo, conheci um assim, mas nunca foi sequer melhor da cidade, contudo soube canalizar sua paixão para apenas um hobby e nunca parar de se divertir jogando xadrez sem se exigir demais, sem desistir do jogo. Tenho certeza que nunca se arrependeu. Outras histórias, até de mestres do xadrez terminam cheias de frustrações. Há ainda outros jogadores que entendem e vislumbram jeitos de se apaixonarem pelo xadrez. Tenho um amigo que tem experimentado organizar torneios e tem se dado muito bem, já outro apenas coleciona objetos de xadrez como livros, jogos e materiais.
     Infelizmente a arrogância é marca registrada na maioria dos enxadrista, e se mostra de várias maneiras, uns de maneira sutil outros de uma evidência chocante. Kasparov num desses momentos de loucura disse que no xadrez a palavra dele era próxima da de Deus. Não posso negar que passei por algumas experiências assim e vi muitos amigos caírem nessa cilada. 
     E você amigo leitor, quando vai se envolver nesse que é um dos esportes mais praticados no mundo? E se você já joga, se envolva mais, experimente mais dos viés que a arte de caíssa proporciona!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

MINELLI


                Conheci a Minelli num torneio que realizei na Universidade anos atrás, na ocasião fiquei muito impressionado com ela, há anos não via uma jogadora de xadrez tão empolgada em jogar e em aprender para evoluir no jogo, e claro, isso me cativou e virei seu fã me oferecendo para ajudá-la nessa caminhada. Ela apareceu algumas vezes em minha sala de aula e depois sumiu por causa de intensos trabalhos acadêmicos.
                Minelli me contou depois que aprendeu a jogar com o irmão, mas que ele não a ensinou direito justamente para poder inventar regras e sempre vencer. Sua irmã e melhor amiga também jogam e são as melhores da universidade Federal do Oeste do Pará. Ano passado ela sagrou campeã novamente, mas com um bônus, como a competição foi mista (contudo as medalhas e premiações são separadas) ela quase vence no geral, ficando na última rodada na primeira mesa (todo enxadrista que compete sabe que usando o sistema suíço de emparceiramento as primeiras mesas são para os primeiros colocados). Equiparando assim aos homens se é que alguém ainda tem dúvidas sobre a capacidade feminina.
 
                







                     Eu gostaria de lembrar todos os títulos dessa grande guerreira que luta num país que não tem tradição nesse esporte, num estado que não incentiva e numa cidade que não a reconhece pelos seus esforços. Mas ela está muito ocupada em seus afazeres acadêmicos e não pode me assessorar nesse texto.
                Fica aqui minha homenagem e espero sinceramente que seja um estímulo as demais mulheres, coisa rara nesse universo enxadrístico, infelizmente.